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Primeira pessoa do singular.



Os meus contos são quase em totalidade contados no espaço de tempo em que o nó continua preso na garganta, a lágrima presa no olho e as palavras são teletransportadas do coração para a mão. Dificilmente escrevo acerca do que sinto, mas na tristeza costumo inventar dores mais doídas que as minhas e assim, sem querer, faço também doer corações que se vêem refletidos na minha escrita, corações colecionados por alguém... Corações que milhares de vezes são postos, nada cuidadosamente, no fundo de uma caixa velha junto a outros cacos. Vez ou outra faço sorrir rostos que se encontram cada vez mais inexpressivos com um bocado de doces e finais felizes. Por hora, vejo apenas um rosto diferente na rua, no ônibus lotado ou um casal que chora e começo, desenfreadamente, a imaginar motivos e situações. Nas entrelinhas deixo escapar quem sou, o que sinto, o que acho e assim, silenciosamente eu te falo com paixão que já fui boba demais, já sofri por amor, já amadureci mais do que o suficiente pra uma garota que ainda vai fazer dezesseis. Eu te conto, mesmo que às vezes você não perceba, que eu tenho um medo absurdo de crescer e deixar que o que me resta dessa inocência doce se vá para sempre. Digo-te metaforicamente, querido leitor, que o músculo mais forte do nosso corpo é sim o coração e nem tente enganar-se e dizer que não. Não adianta fugir, nesse mundo absolutamente nada acaba bem e no fundo restará a saudade, pois no final da linha está a morte. A infância, o seu (e o meu) pai falecido, qualquer outro ente querido. Amizades que morrem ainda em vida e que nos lembram a cada segundo que o ''para sempre enquanto dure'' não é nada fácil de realizar. Como? Se não vou falar da morte de um antigo amor? Querido colecionador/colecionado, o amor verdadeiro não morre sequer com a morte, porque o amor não está em nenhuma parte do seu corpo. O amor permanece na alma e sempre estará contigo. Como você pode notar, da dor da ausência eu sei muito bem como falar. Sabe, eu já bebi saudade de domingo a domingo, sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia. Deixei por muito tempo de pintar meu arco-íris diário e vivi em escala cinza. Quando acabou? Quando a lágrima enfim caiu e o orgulho foi pro espaço. Cansei de ficar prendendo lágrima, coisa de covarde. Coragem tem quem dá a cara à tapa, chora e não quer nem saber. Que se dane o mundo! Eu deixei de brincar de esconde-esconde, cansei de ver rostos virados e inclinados pra qualquer direção que não fosse a minha e hoje, posso te dizer, me sinto feliz. O quê? Não, não. Já falei o bastante e não obstante, um dia tornarei a falar. O silêncio não mais permanece, meus lábios estão lacrados, mas minhas mãos descrevem mil vezes melhor o que sinto. Sempre, sempre, com muita paixão

 


16 colecionadores!:

  1. Que lindo adorei o texto.

    Beijo bom final de semana

    http://marifriend.blogspot.com/
    @Storieandadvic

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  2. Sim, as mãos descrevem muitos mais sentimentos do que nós somos capazes de escrever, acho que é como um refugio,as palavras e eu amei esse texto, ficou extremamente lindo e esse design ta muito legal.
    " o amor verdadeiro não morre sequer com a morte, porquê o amor não está em nenhuma parte do seu corpo. "
    http://senhoritaliberdade.blogspot.com/

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  3. Aumentamos nossa dor, o que faz doer a quem também lê.E apenas quem escreve, sabe o que se passa. As vezes estamos passando por tremenda dificuldade, mas transmitimos coisas boas. "Sempre com muita paixão". Parabéns pelo post querida. Boa sorte no BLQ! Beijos.

    http://ribeiroap.blogspot.com/

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  4. Apesar de nem sempre basearmos nossos contos em nossas próprias experiências e sentimentos, me arrisco a dizer que todo texto tem muito do seu autor. Aliás, textos costumam me fascinar porque eles revelam coisas do nosso subconsciente, coisas que nem percebemos que expressamos em um texto de forma tão velada. Essa é a magia das letras. Lindo texto, dear.

    http://miasodre.blogspot.com/

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  5. Lindo texto, Railma! É sincero e poético, parabéns!
    Bom fim de semana ;)
    http://stupid-carol.blogspot.com

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  6. O seu texto me trouxe à mente muita coisa.

    parabéns e obrigado..
    bom dia!

    http://diaahs.blogspot.com

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  7. Nossa, que lindo, acho que sempre temos que seguir em frente mesmo, não importa se ainda dói um pouco, aprendi do jeito mais duro que só o tempo cura feridas graves e só um novo amor as cicatriza definitivamente!

    Bjss

    Espero que dê uma passada no meu blog, adorei aqui e vou seguir.

    http://agarotaperfeitatemdefeitos.blogspot.com/

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  8. Railma! As datas de entregas do TDB vão ser prorrogadas, então ainda da tempo de participar hihihihi

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  9. Nem sei o que escerever, porque você disse tudo.
    Todas as vezes que venho aqui, consigo me identificar com algum texto, e mais uma vez me identifiquei,rs.
    E é assim mesmo, sempre nos expressamos melhor por meio das palavras, talvez seja por isso que escolhemos o mundo dos blogs.
    Beiijos*-*
    http://cartasp-voce.blogspot.com/

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  10. Eu adorei esse seu texto ,de verdade.
    Você escreve super bem.

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  11. "já sofri por amor, já amadureci mais do que o suficiente pra uma garota que ainda vai fazer dezesseis."

    Pois é..tem gente que cresce rápido, fora de tempo, equanto outros ( a maioria as vezes ) Nunca crescem e tornam-se adultos com atitudes de criança. Não, não perca a inocencia e o sorriso gentil que tens garota, mas lembre-se que sorrir de tudo é a pior das dores.

    E eu não esqueci do seu blog. sempre leio, só não comento u.u apareça no msn as vezes u.u

    Beijo e abraço

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  12. "o amor verdadeiro não morre sequer com a morte, porque o amor não está em nenhuma parte do seu corpo".
    Lindíssimo! As palavras são retratos da alma. Vejo que a sua é bela.

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  13. "Amizades que morrem ainda em vida e que nos lembram a cada segundo que o ''para sempre enquanto dure'' não é nada fácil de realizar. "

    Realmente é difícil de lidar com isso. Nesse mundo nada mais dura para sempre, e quem realmente se entrega só sofre. Lindo texto Rai, realmente você é muito madura para a sua idade. Isso acontece quando a gente TEM que aprender a aceitar as coisas da vida desde sempre.
    Enfim, amei, como sempre.
    Beijo :*

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  14. ''O silêncio não mais permanece, meus lábios estão lacrados, mas minhas mãos descrevem mil vezes melhor o que sinto. Sempre, sempre, com muita paixão. ''
    LINDO DEMAIS!
    seguindo seu blog, tá? Beijos
    http://tofixaheart.blogspot.com/

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  15. E a cada dia, eu amo mais e mais ler seus textos. São perfeitos Railma, acredite.

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  16. que trecho marcante esse em..
    " o amor verdadeiro não morre sequer com a morte, porquê o amor não está em nenhuma parte do seu corpo. "
    eu concordo com vc e com esse trecho pois o amor nao acaba depois da morte é capaz de ir mais alem..
    kisu

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