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Passarinho.



Os últimos gravetos se desentrelaçaram. Secos, quebradiçosO amor foi embora, os vestígios ficaram tatuados no tronco como da última vez. As camisetas velhas ninguém vê: do varal, foram pra caixa... De limpas, estão empoeiradas. No sorriso dela ninguém crê: a sinceridade se escondeu com o sentimento, em algum vão dentro de seu peito estão as palavras emocionadas. É que o tempo desfez o ninho, passarinho não quer amar. Andou bicando um pouco de cada vinho em todas as fontes da cidade com vários amiguinhos diferentes, indecentes. Incidentes, acidentes aconteceram. Caíram corpos no chão, na cama, caíram lágrimas, que fizeram correnteza e levaram toda a sua dignidade. No outro dia, nem mesmo a ressaca ressalva o seu pudor. As quedas  do alto da árvore, do clímax do amor  deixaram marcas. Põe esparadrapo nas asas e vai, não há tempo para amar. É que o tempo desfez o ninho, passarinho só quer voar.

Voa, Voa, passarinho! Que até a felicidade chegar, a história não tem um final.





- Railma Medeiros.