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Onde você parou.



Noites em claro para perceber que o tempo passou rápido demais, que mais um ano chega a seu estado terminal e me tem como testemunha, tão vítima e tão réu do desenvolver de seus fatos. Aquela sensação, de que não abracei sequer uma pequena nuvem na imensidão de um céu, que parece nunca estar ao alcance de minhas mãos, retorna como figurinha repetida. Talvez seja tolice de uma mulher, em demasia conectada aos seus sonhos de menina, querer enlaçar o mundo com mãos tão pequenas - tão calejadas. Eu sei, é triste enxergar em um fato tão ilusório mais possibilidades do que em algo tão comum, como um abraço. Por quê? Abraços só aquecem em totalidade o peito quando vem da direção certa. Quando o calor já é interno, em mim se externa facilmente. Você é o meu sol, mas não são suficientes os raios que permaneceram aqui do lado esquerdo depois que decidiu partir. Decidiu? Foi mais precisar do que querer, eu sei, você me falou. Não tive tanto pique, você ganhou de mim na corrida, me esperou por tempo demais e cansou enquanto eu caminhava lentamente ao seu encontro. Rapaz, não foi fácil para mim também, quero que você saiba que sempre fui adepta ao sedentarismo por não ter me saído bem na modalidade de sentir. Mais um ano e eu estou no mesmo lugar  de quando você se foi, falando bonito que o azul acima de minha cabeça e a liberdade de observá-lo quando quiser são mais importantes que o amor. Um discurso hipocritamente independente de alguém que é só pendências. Eu tentei, mesmo que não tenha sido suficiente, me doar. Apenas me doí, as pernas cheias de hematomas das quedas que levei até chegar aqui tristemente atrasada e descobrir que ninguém tem a obrigação de ficar.

 "Parei onde você parou pra me esperar, até quando você notou que não ia dar em nada." (Vanguart)

- Railma Medeiros