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Saudade é vomitar de estômado vazio.


Não tenho conseguido dormir. A insônia, cada vez mais recorrente, me faz passar horas a fio procurando a posição mais confortável para mexer no celular. Ouço músicas, assisto vídeos, me apego à leitura de qualquer coisa fútil para vencer os olhos pelo cansaço. Ligo o computador, decido organizar minhas pastas. Me deparo com um álbum só seu, repleto de fotografias com a mesma pose, por mim batizada de "indo". No estacionamento, no parque, na praia, no ônibus, no aeroporto, na livraria... Suas largas costas carregando uma mochila, seus braços voando em marcha, sua nuca quase sem cabelo. Criei o hábito de te registrar partindo, talvez numa tentativa desesperada de te fazer ficar, porque parte de mim sempre soube que o certo a se fazer seria te deixar ir. Pensei inúmeras vezes se deveria falar sobre isso, pois me dói a inserção de cada sílaba, o que me lembra do porquê parei de escrever: essa dor na garganta, essa vontade de chorar, esse desespero em superar sem tanta espera... Te escrevo, você se foi, nada disso agora importa. Saudade é vomitar de estômago vazio, o resto é nada.



Sobre sentimentos que já se foram e que ainda voltarão,
Railma Medeiros



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