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Para mim.


Ao deixá-lo no ponto de ônibus, após uma caminhada molhada pela chuva, por um caminho iluminado pelas nossas risadas, me veio a necessidade de escrever sobre o amor. O amor, esse sentimento difícil de ser explicado, assim como a felicidade, tem um conceito muito individual. Escritores infanto-juvenis podem adocicá-lo demasiadamente (admito, eles também me enganaram). Os céticos podem dizer que é algo cultural, inventado por nós, como uma espécie de Deus, para tornar os fardos da vida mais leves. Para alguns, o amor só existe atrelado à ideia de fidelidade e só se ama de verdade uma vez na vida. Para outros, não. 

Para mim, é quando parece bobo responder à pergunta "por quê você me ama?". Porque, para mim, parece bobo dizer que é por causa dos seus olhos, que é por me sentir protegida ao seu lado, que é porque eu quero ficar com você para sempre. Porque não é por nenhum desses motivos, apesar de você ter olhos lindos, me fazer sentir segura de todos os males do universo e despertar em mim a vontade de fazer durar. Eu não sei explicar, não é racional, é meio que como andar. Você não pensa: mover perna direita para frente, enquanto a perna esquerda é jogada para trás e os braços se mexem para lá e para cá. É como andar! Não há razões para questionar, esquematizar, explicar. E se assim você decidir fazer, é mais provável que se distraia com tantas perguntas desnecessárias e, de repente, caia. Se espatife no chão. Torça o pé, frature um osso, esmague o coração. 

Não sei dizer quando o amor começou, se foi quando esperou meu ônibus ir embora para, só depois de me jogar um beijo no ar, você partir. Não sei se foi quando senti saudade pela primeira vez. Não sei se foi quando fiquei morta de vergonha e você disse "tá tudo bem, relaxa". Não sei. Sei só que, depois de muitos dias felizes, de tantas noites, de centenas de músicas  e sonhos, muita coisa mudou. Para minha surpresa, não acabou.

Padre Fábio de Melo, um baita ser humano e um excelente escritor, fala (não exatamente com essas palavras) que só pode-se dizer que um amor é verdadeiro, quando ele supera as barreiras da utilidade. Isso mesmo, na dor. 

Eu posso não saber explicar as razões que levam alguém a amar, mas afirmo, sem medo de errar, que  você sabe que é amor quando você manda, para o bem do outro, a pessoa amada ir embora e ela decide, contra todos os preceitos lógicos, ficar. 

Só porque te ama, só porque quer enfrentar a tempestade de frente e ao seu lado, se possível chutar as poças de lama nas suas pernas, rir da sua cara e mostrar que dá pra dar risada da tragédia.


"Primeiro, vocês dois seguiram os seus próprios caminhos
E a vibração estava forte
E o que era pequeno se transformou em uma amizade
Uma amizade se transformou num laço
E esse laço nunca será desatado
O amor nunca será perdido
E quando a irmandade vem primeiro
Então a linha nunca será cruzada."


See You Again, de Wiz Khalifa, cover por Boyce Avenue. ♥




Isso é amor. É claro, para mim:
Railma Medeiros.

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